A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins. Embora seja silenciosa nas fases iniciais, pode levar a complicações graves se não for diagnosticada e tratada a tempo.
A doença renal crônica é uma condição de evolução lenta que compromete a capacidade dos rins de realizar funções vitais.
Os rins atuam na filtração do sangue, eliminação de toxinas, controle da pressão arterial e regulação de minerais importantes.
Quando essa função é prejudicada, o organismo sofre uma série de desequilíbrios que afetam a saúde como um todo.
Um dos principais desafios da doença renal crônica é seu caráter silencioso nos estágios iniciais. Isso significa que muitos pacientes só descobrem a condição quando ela já está em fases mais avançadas.
Por isso, é essencial saber quais são os sinais clínicos, para reconhecê-los a tempo de um diagnóstico precoce e um plano de tratamento para retardar a progressão.
Então, acompanhe este artigo para entender melhor o que é a doença renal crônica, seus principais sintomas, as causas mais comuns, como ela é classificada em estágios e quais os tratamentos disponíveis.
O que é doença renal crônica?
A doença renal crônica é caracterizada pela perda progressiva e irreversível da função dos rins, que deixam de filtrar corretamente o sangue e eliminar substâncias tóxicas do organismo.
Os rins também são responsáveis por equilibrar eletrólitos, controlar a pressão arterial e produzir hormônios essenciais.
A principal característica da doença é a perda lenta e contínua da função renal por um período superior a três meses.
Em muitos casos, a doença se desenvolve de forma silenciosa, sem sintomas perceptíveis até os estágios mais avançados.
Em estágios iniciais, o paciente pode viver normalmente com acompanhamento médico e controle dos fatores de risco, segundo o MDS Manuals.
Já nos estágios mais avançados, pode ser necessário iniciar tratamentos como diálise ou até transplante renal.
O que causa a doença renal crônica?
Essa condição pode ter diferentes causas, muitas delas associadas a doenças sistêmicas que afetam os rins de forma secundária.
A principal causa da doença renal crônica é o diabetes mellitus, porque o excesso de glicose no sangue, quando mal controlado, danifica os vasos sanguíneos dos rins, comprometendo sua função com o tempo.
Em segundo lugar, a hipertensão arterial crônica também está entre os fatores mais relevantes, já que o aumento constante da pressão pode lesar os glomérulos (estruturas responsáveis pela filtração do sangue).
Outras causas importantes incluem:
- Glomerulonefrites, que são inflamações nos glomérulos renais;
- Doenças hereditárias, como a doença policística renal;
- Obstruções prolongadas no trato urinário, como pedras nos rins ou aumento da próstata;
- Infecções urinárias recorrentes;
- Uso crônico e inadequado de medicamentos nefrotóxicos, como anti-inflamatórios.
Além disso, fatores como idade avançada, tabagismo, obesidade, histórico familiar e dislipidemias (alterações nos níveis de gordura no sangue) aumentam o risco de desenvolvimento da condição.
Muitas vezes, a doença renal crônica é o resultado da combinação de várias dessas causas ao longo do tempo.
Por isso, manter um acompanhamento médico frequente e controlar as doenças de base é fundamental para prevenir ou retardar o avanço da doença.
Quais são os sintomas da doença renal crônica?
Os sintomas da doença renal crônica nem sempre são perceptíveis nos estágios iniciais.
Na maioria das vezes, os sinais aparecem quando os rins já estão bastante comprometidos, o que dificulta o tratamento e recuperação da qualidade de vida do indivíduo.
Por isso, é essencial estar atento a alterações sutis no corpo e procurar avaliação médica diante de qualquer anormalidade.
Entre os sintomas mais comuns da doença renal crônica estão:

Esses sintomas surgem porque os rins deixam de eliminar corretamente as toxinas do sangue, acumulando substâncias que afetam diferentes sistemas do organismo.
Quando a doença renal crônica evolui, pode haver também aumento da pressão arterial, anemia, alterações nos ossos e até comprometimento do sistema cardiovascular.
Por se tratar de uma condição progressiva e muitas vezes silenciosa, a realização de exames de rotina e a atenção aos fatores de risco são fundamentais.
Pessoas com histórico de hipertensão, diabetes ou doenças autoimunes devem fazer o acompanhamento médico regular para evitar complicações renais.
Quais são os estágio da doença renal crônica?
A doença renal crônica é dividida em cinco estágios, de acordo com a taxa de filtração glomerular (TFG), que indica o quanto os rins conseguem filtrar o sangue por minuto.
Essa classificação permite avaliar a gravidade da doença e definir as melhores estratégias de tratamento.
A TFG é medida em mililitros por minuto (mL/min) e pode ser estimada por exames laboratoriais que analisam a creatinina no sangue.
Quanto menor a TFG, mais avançado está o comprometimento renal.
Veja abaixo como é feita a classificação doença renal crônica, segundo um artigo publicado no Brazilian Journal of Nephrology:
Estágio 1: TFG ≥ 90 mL/min
Os rins ainda funcionam bem, mas já existem sinais de lesão renal, como presença de proteína na urina ou alterações em exames de imagem. Por isso, o indivíduo pode não apresentar sintomas.
Estágio 2: TFG entre 60 e 89 mL/min
Aqui, a função renal está levemente reduzida, e os sinais continuam discretos e muitas vezes passam despercebidos, como a noctúria, que é a vontade de urinar várias vezes à noite. Este estágio ainda permite a prevenção de complicações.
Estágio 3: TFG entre 30 e 59 mL/min
Neste estágio intermediário, a função dos rins já está moderadamente comprometida. Sintomas leves e moderados podem começar a aparecer, como cansaço, inchaço e alterações urinárias mais perceptíveis.
Estágio 4: TFG entre 15 e 29 mL/min
É considerada uma fase avançada da doença, portanto, os sintomas tornam-se mais evidentes e mais graves, e o risco de complicações aumenta.
Estágio 5: TFG < 15 mL/min
Chamado de estágio terminal ou insuficiência renal crônica avançada, nessa fase, os rins praticamente não funcionam, e o tratamento com diálise ou transplante se torna necessário.
Como é o tratamento da doença renal crônica?
O tratamento tem como principal objetivo retardar a progressão da perda da função renal, controlar os sintomas e prevenir complicações.
A abordagem terapêutica depende do estágio da doença, das causas associadas e do estado geral do paciente.
Nos estágios iniciais, mudanças no estilo de vida e controle rigoroso das doenças de base, como hipertensão e diabetes, são fundamentais para proteger os rins.
Isso inclui alimentação equilibrada com baixo teor de sal e proteínas, prática regular de atividades físicas e abandono do tabagismo.
A restrição de fósforo e potássio na dieta também pode ser necessária, dependendo da função renal.
Além disso, o uso de medicamentos específicos pode ser necessário para controlar a pressão arterial, o colesterol, a glicemia e a presença de proteínas na urina (proteinúria).
Fármacos como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA) são comumente indicados para proteger os rins.
Nos estágios mais avançados, o acompanhamento com nefrologista deve ser intensificado.
Quando a função renal está muito comprometida, pode ser necessário iniciar uma das formas de terapia renal substitutiva, que incluem:
- Diálise peritoneal: o sangue é filtrado dentro da cavidade abdominal com a ajuda de uma solução especial;
- Hemodiálise: o sangue é filtrado por uma máquina em sessões regulares, geralmente feitas três vezes por semana.
- Transplante renal: em casos elegíveis, a substituição do rim comprometido por um rim saudável, proveniente de doador vivo ou falecido, pode oferecer melhor qualidade de vida e autonomia ao paciente.
Mesmo diante de um diagnóstico de doença renal crônica, é possível manter uma boa qualidade de vida com o suporte adequado.
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